Olá, vocês!
Bem, assisti a este filme que deu título ao post numa fase não muito adequada - ou talvez a mais adequada - para este tipo de reflexão.
Apesar de ter sido muito torturada com o conteúdo, recomendo o filme a qualquer pessoa que precise pensar sobre a vida, e para os interessados em Cuidados Paliativos e Terminalidade.
Não vou comentar a história, pois isto cabe aos críticos de cinema que já estão por aí... Quero comentar um pouco sobre minhas reflexões...
Somos tão, mas tão estúpidos pensando o quanto somos indispensáveis e insubstituíveis, não é? Somos sim, a meu ver, únicos e exclusivos, porém os papéis que desempenhamos podem ser assumidos por qualquer um que se disponha a isto, a qualquer momento.
Por que será então que nos agarramos tão arduamente às nossas SUPOSTAS atribuições? Por que fazemos nossos papéis serem mais importantes do que nossa subjetividade? Por que preferimos ser O Estudante, O Vendedor, O Professor, O Responsável por X, O Filho ou O Pai ou A Irmã, ao invés de sermos apenas Karen, Joãozinho e Mariazinha?
Meu palpite é que preferimos ocupar um lugar que já é reconhecido e pelo qual se tem valor em ocupar do que lutar para conquistarmos o valor em sermos simplesmente nós mesmos...
Fato é que quando não existimos mais, continuam existindo os estudantes, vendedores, professores, responsáveis e irresponsáveis, filhos, pais e irmãos... O que acaba é a Karen, o Joãozinho e a Mariazinha... E acaba mesmo, sem dó nem dúvida...
O que vale mais? Ser o que se é e fazer a existência valer a pena ou ser o que todo mundo pode ser e ser só mais um que vive numa massa?
Acho que já fiz a minha escolha!
Um bom começo de semana a vocês!
Grande abraço,
K.
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domingo, 29 de novembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Delicadeza
Apesar do título bem amplo e vago, a delicadeza a que me refiro é a das nossas vidas... Talvez melhor título seria "fragilidade", mas prefiro qualificar como delicada a vida que embora suave não é fraca; é simultaneamente vulnerável e demasiadamente complexa - biológica, psíquica ou ainda espiritualmente - para ser taxada FRÁGIL.
Frágil é talvez o campo das emoções enquanto uma porta escancarada entre o nosso ser e o mundo, algo que ultrapassa a barreira da pele, boicotando-a.
Complexa e rígida é a nossa organização biológica, porém com toda a sua mirabolante engenharia, apenas uma única célula rebelde pode comprometê-la por inteiro.
O que dizer então? Que somos uma máquina pensante e autônoma ou que somos complexos a ponto de a partir de apenas uma célula constituirmos tecidos com funções diversas ou ainda que somos simplórios também, a ponto de sucumbir através da ação de uma bactéria, que "jamais morrerá" e se dividirá inconscientemente no limbo de uma existência puramente simples e unicelular?
A eternidade faz muito sentido para mim e a creio como promessa verdadeira, mas que vantagem temos sobre uma bactéria que a seu próprio modo, também possui a eternidade, mesmo sem possuir a cognição ou a emoção, ou ainda a experiência extasiante da fé?
Creio que minha pergunta em si já é a resposta... Com todo seu poder de bipartição, a bactéria e todos os outros seres vivos - ou mortos - não humanos jamais poderão apossar-se da sensação deliciosa de entender o mundo a seu redor, de usar os sentidos para ver, ouvir, cheirar, degustar; sentir enfim, como um ser humano...
Com toda a delicadeza da nossa existência, temos incríveis possibilidades de existir no mundo, mesmo com algumas deficiências e debilidades, mesmo lidando com angústias que provêm das nossas próprias capacidades e da nossa diferenciação.
E mesmo sabendo que somos simples e instáveis a ponto de sermos traídos por nossas próprias células, penso que minha vida não teria mais sentido do que tem hoje se eu fosse outro ser vivo - ou morto - qualquer...
A delícia de SER humano, mesmo com as nossas decepções com nossos iguais, para mim é poder olhar para dentro e sentir a vida correndo - dias mais cansada, dias mais veloz - em minhas artérias e imprimindo em cada célula que nasce e morre a minha história!
Um forte abraço,
K.
Frágil é talvez o campo das emoções enquanto uma porta escancarada entre o nosso ser e o mundo, algo que ultrapassa a barreira da pele, boicotando-a.
Complexa e rígida é a nossa organização biológica, porém com toda a sua mirabolante engenharia, apenas uma única célula rebelde pode comprometê-la por inteiro.
O que dizer então? Que somos uma máquina pensante e autônoma ou que somos complexos a ponto de a partir de apenas uma célula constituirmos tecidos com funções diversas ou ainda que somos simplórios também, a ponto de sucumbir através da ação de uma bactéria, que "jamais morrerá" e se dividirá inconscientemente no limbo de uma existência puramente simples e unicelular?
A eternidade faz muito sentido para mim e a creio como promessa verdadeira, mas que vantagem temos sobre uma bactéria que a seu próprio modo, também possui a eternidade, mesmo sem possuir a cognição ou a emoção, ou ainda a experiência extasiante da fé?
Creio que minha pergunta em si já é a resposta... Com todo seu poder de bipartição, a bactéria e todos os outros seres vivos - ou mortos - não humanos jamais poderão apossar-se da sensação deliciosa de entender o mundo a seu redor, de usar os sentidos para ver, ouvir, cheirar, degustar; sentir enfim, como um ser humano...
Com toda a delicadeza da nossa existência, temos incríveis possibilidades de existir no mundo, mesmo com algumas deficiências e debilidades, mesmo lidando com angústias que provêm das nossas próprias capacidades e da nossa diferenciação.
E mesmo sabendo que somos simples e instáveis a ponto de sermos traídos por nossas próprias células, penso que minha vida não teria mais sentido do que tem hoje se eu fosse outro ser vivo - ou morto - qualquer...
A delícia de SER humano, mesmo com as nossas decepções com nossos iguais, para mim é poder olhar para dentro e sentir a vida correndo - dias mais cansada, dias mais veloz - em minhas artérias e imprimindo em cada célula que nasce e morre a minha história!
Um forte abraço,
K.
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